
Um amor para ser lembrado...
Inglaterra, 1213
Lady Gillian L’Eau Clair jamais esqueceria o amor compartilhado com Rannulf FitzClifford apesar de ele ter desaparecido repentinamente, deixando apenas uma mensagem enigmática, rabiscada no contrato de noivado.
Mas, quatro anos depois, Rannulf voltou, fingindo que o passado não existira. Gillian não queria se envolver novamente com aquele homem.
E não devia lhe revelar um segredo, havia muito tempo guardado.Porém, seu coração batia mais forte cada vez que olhava para ele.Uma coisa não podia negar a si mesma: apesar do que lhe havia feito, Rannulf FitzClifford teria sempre seu coração.
Prólogo
Gales, primavera de 1213
Gillian de L’Eau Clair inclinou-se sobre a muralha do Castelo de L’Eau Clair e fixou o olhar na grama nova que cobria a sepultura do pai.
Já haviam se passado quase dois meses, mas a dor pela perda sofrida continuava intensa. E ter encontrado aquele documento entre os papéis do pai só serviu para reavivar sua dor. Instigada pela mágoa profunda, amassou o contrato de noivado, sem assinatura, que tinha entre as mãos e maldisse o homem que havia rabiscado palavras de recusa onde deveria ter apenas firmado o nome em sinal de aquiescência.
Rannulf FitzClifford, primeiro, o amigo de sua infância e, mais tarde, o anseio de seu coração. Como também ela havia sido do dele, fora levada a acreditar.
A data do acordo continuava marcada com clareza em sua mente, seu décimo sétimo aniversário, mais de dois anos atrás, não muito depois das visitas dele ao L’Eau Clair, terem parado repentinamente como se ele houvesse desaparecido do mundo para sempre.
Tudo indicava que o pai não tinha permitido que tal fato o impedisse de do plano de vê-la casada com Rannulf, que achara tinha destruído tal plano, pois as palavras dele, no contrato de noivado, deixavam claro que Rannulf não desejava nenhum compromisso.
Gillian levantou o braço para atirar fora o documento inútil, porém, apenas abriu a mão, deixando-o cair a seus pés. Ajoelhou-se e, com a face encostada nas pedras ásperas da muralha, lutou contra o desespero que ameaçava dominá-la.
Ela havia mandado a notícia do falecimento do pai ao padrinho, o conde de Pembroke, ao príncipe Llywelyn de Gales, seu parente.
Enfim, a todos que esperava, talvez pudessem ajudá-la a livrar-se do inimigo desconhecido que começara a saquear seu povo e suas terras desde a morte do pai. Sufocou um riso amargurado. Pela Virgem Santíssima, ela havia até mandado um mensageiro a seu senhor feudal, o Rei John, embora não tivesse a mínima esperança de que ele se desse ao trabalho de cumprir o dever.
Apesar ter enviado as mensagens há quase dois meses atrás, ninguém se incomodara em respondê-las.
No auge da preocupação, tinha pensado em até pôr de lado o orgulho e entrar em contato com Rannulf. Para tanto havia procurado, entre os documentos guardados nos aposentos do pai, algum que lhe indicasse o lugar onde encontrá-lo.
O vento gelado a fustigou, fazendo seus cabelos soltos cobrir-lhe o rosto e levando o contrato de noivado, amassado, a voar ao longo do passadiço de madeira.
– Não! – Gritou ela, arrastando-se para apanhá-lo.
Com o pergaminho bem apertado numa das mãos e a outra firmada na beirada da ameia, levantou-se. Deixou que as gélidas rajadas do vento forte afugentassem o medo e a covardia que, por descuido seu, a tinham envolvido.
Alisou bem o contrato e forçou-se a ler, mais uma vez, a mensagem danosa. Ia guardá-lo como lembrete, caso voltasse a se esquecer de que a única pessoa de quem podia depender era ela mesma.
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